Chama-me impotente, diz-me que sou mau na cama, que é pequeno demais, grosso de menos. Atira-me com coisas à cara, histórias do passado menos refulgente e mais obscuro, com panos deslavados, com cuecas sujas, com meias por lavar. Diz-me que sou porco, que te meto nojo, que te provoco náuseas constantes. Grita a sete ventos, a sete chaves, a sete volts, a sete watts, a sete decibéis que sou vigarista, que tenho off-shores na Suíça, que não faço o IRS há anos e que fujo ao fisco. Conta-me que não sei nada de ti, que fizeste um aborto há três anos, que tens um amante rico e que finges os orgasmos.
Revela-me tudo isso e eu contraponho que estás gorda, que as tuas estrias agoniam-me e que cada vez tens mais celulite. Digo-te que perdi tudo no jogo, que hipotequei a casa e as tuas jóias. Vou clamar que a minha secretária não tem dores de cabeça e faz todas as posições e que a oral que fazes não presta. Vou falar aos teus pais que foste puta, snifavas cocaína e que comias putos.
Fecha a janela, desliga os interruptores, tranca as portas, entrega as chaves. Acabou. Sente o ponto de ruptura.
Adorei
Obrigada pelo apoio.
mas só pelo elemento supresa levas um fav, e porque o texto também tá bem escrito !
Fantástico!
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